11/04/2016

Fui ao Psicólogo... Serei Louco?




Ao longo dos meus 12 anos de prática clínica, sempre acreditei que a percepção dos outros sobre a psicologia fosse mudando. Acreditei também que a ideia convencionada de que “ir ao psicólogo” fosse sinónimo de loucura entrasse em decadência. Mas não. Já muito se fez, mas há muito a fazer...

Tendo claro que há exceções que confirmam a regra, confronto-me muitas vezes com a necessidade de clarificação de que o facto de terem procurado ajuda não significa per si que perderam lucidez ou coerência, num sentido global. Aliás, é muitas vezes este racional que gera o primeiro de qualquer objetivo terapêutico para que se preparem para receber nas suas vidas um espaço que se quer livre e promotor de descoberta.

Mas afinal quem procura ajuda?

Quem traz consigo algum conflito. Maior ou menor… Pessoal ou relacional… Mais ou menos denso… Mais ou menos conhecido/consciencializado por si…

O espaço de terapia visa alinhar o indivíduo com os limites do seu conflito, conhecendo-os, lidando com eles e fazendo com que ganhe domínio e autoria dos seus recursos para controlar a probabilidade da sua recorrência.

Posto isto, a complexidade /intensidade do conflito é definida pelo indivíduo por via do impacto que sente que está a ter no seu padrão de funcionalidade cognitiva, emocional, comportamental ou atitudinal.

É deste modo que concebo a minha abordagem, enquanto intermediário num processo  dito de auto-conhecimento, para quem o solicita.
Mas será só para quem o solicita?
Eu acredito que não. Estando clarificados os papéis de cada um, a partir do momento em que se estabelece uma relação (ainda que terapêutica), o processo é orgânico e o ganho obtido é certamente diferente para as partes. Para o cliente, centrado no seu apelo, para o psicólogo, orientado para o reconhecimento da sua técnica, gratificação por ter conseguido potenciar o insight no outro ou até mesmo por se ter confrontado com uma dimensão crítica (consciente ou inconsciente) não explorada ou dominada. E é aqui que também se cresce pessoalmente, ao ajudar os outros nos seus processos pessoais de redimensionamento.

Face a isto, não creio que “ir ao psicólogo” seja sinónimo de loucura, mas antes uma resposta a uma qualquer inquietação por descodificar que surge algures no tempo pessoal ou relacional.

Que todos se confrontaram em algum momento com isto, eu tenho a certeza… Agora, que todos acharam que o psicólogo poderia ajudar, não sei.

A ver vamos em que ponto estaremos daqui por mais 12 anos.

Até Breve Utopia.
TP
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